terça-feira, 9 de junho de 2009

Sobre a música piauiense: de como a mediocridade se sobrepõe à competência

Acabo de ler um post no blog do Validuaté. Lá, o Quaresma, vocalista da banda, falou sobre um show que foi assistir no último dia 5, uma festa com alguns dos astros esquecidos da “Jovem Guarda”, em especial Márcio Greyck, de quem o Validuaté gravou a música “Eu preciso de você” para o seu segundo álbum, o aguardado “Alegria girar”. No texto, a maior reclamação do cantor foi em relação ao som (técnica) do evento, totalmente obscuro e sem definição e que, se não fosse a competência individual dos artistas no palco teria estragado a noite.

Há alguns anos atrás, eu junto com meus amigos Gleison e Narcísio, formamos uma banda (que acabou não dando certo e não durando, infelizmente) e nas poucas apresentações que tivemos, sofremos também a falta de estrutura dos PAs da cidade. Por ser uma banda de caráter experimental e trabalhar eminentemente com música eletrônica, os graves pesados encorpados e constantes se tornavam um pesadelo para os “técnicos” nas precárias estruturas de som que tivemos a chance de usar.

Mudando um pouco foco, Thiago Cabral, outro amigo, excelente pianista jazz e verdadeiro pesquisador musical, formou-se na UFPI, passou (se não me engano) dois anos como professor substituto da instituição e depois, quando quis se especializar teve de ir pra João Pessoa, onde está fazendo mestrado em “Musicologia do século XX” (Uau!). Assim como ele, no início do ano outros amigos: Samara, Wdemberg, Luana e Germano (todos excelentes cantores), sentiram a necessidade de se especializarem e tentar conseguir uma formação musical realmente sólida arrumaram suas malas e se mandaram para Goiânia.

Ainda no âmbito acadêmico, Teresina perdeu esse ano o Prof. Dr. Vladimir Silva, paraibano, já residente aqui há anos. Dono de uma gama de conhecimentos musicais enorme, extremamente rigoroso e criterioso quanto à prática musical. Um verdadeiro político (sempre em cima da Universidade pelo curso de música), além de incrível professor sempre pronto a servir e foi embora simplesmente por que a cidade de uma forma ou de outra disse: não precisamos de seus serviços professor, aqui não há espaço para você! Junto com a saída do professor Vladimir, morreu o Madrigal da UFPI, regido por este e, sem favor nenhum, o melhor grupo musical que já houve no estado.


O Piauí sempre virou as costas para professores de música reconhecidos no país todo como Emmanuel Coêlho Maciel, Reginaldo Carvalho e o próprio Vladimir Silva. Reginaldo Carvalho, indubitavelmente uma autoridade no mundo da música está aqui, entre nós, e a maioria nem conhece. Se hoje temos uma “orquestra sinfônica” (na verdade não temos, mas os papéis dizem que sim), ela se originou na Orquestra de Câmara de Teresina, fundada por Emmanuel Coêlho Maciel, e quase ninguém sabe!

A música piauiense tem muito o que aprender e precisa urgentemente começar a aprender. Seja a música popular ou “erudita” (outro dia discorro sobre o uso desse termo). A música piauiense precisa parar de se contentar com o normal, o ordinário, o medíocre ou perderá todos seus grandes talentos. Enquanto a politicagem sobrepujar a força criadora, a mediocridade será a única coisa que teremos aqui, pois esses (os medíocres), ao verem aqueles que pode ser mais, sentem medo e utilizam-se dessa politicagem, podando todos os verdadeiros e competentes talentos. Enquanto a competência não conseguir vencer por si mesma, teresina vai permanecer como uma pequena província, de onde os verdadeiramente bons e talentosos terão de fugir, se quiserem chegar a algum lugar. Correndo o risco de nunca mais voltar.

PS: A esses medíocres que atrapalham o crescimento e o desenvolvimento dos realmente competentes, nós do Helvetica12 não absolvemos!

10 comentários:

Patricia Paixão disse...

Queima diacho...rsrs

Patricia Paixão disse...

As pessoas dessa cidade precisam ouvir e saber dessas verdades...

Dai disse...

Capitalismo! Não sou marxista, apesar de minha formação ufpiana, mas entendo que se o mercado não chama não terá empregos mesmo. Questão de entender o mercado como ele é. Nada de individualismo profissional. Não se trata de não valorizar a arte. Não somos tão burros. Não quero acreditar nisso. Em cada lugar existe a sua demanda por profissionais. Se se quer criar um mercado, há que abri-lo. Não apenas ter talento. Se assim fosse, Teresina seria o paraíso profissional dos artistas. Quando dizem "difícil viver de arte", dizem na verdade que não tem quem pague pela sua profissionalização. Status quo.

Phillipe Xadai disse...

Dai,
a questão não é emprego ou não emprego, não é uma questão financeira, a questão é a inversão dos valores artísticos.
Os medioocres se instalaram e por força da politicagem se mantém, tirando a oportunidade de que é competente e não tem algum contato político de se estabelecer.
O que eu quis dizer é que aqui não se vence, artisticamente falando, apenas pela competencia.
Dando nome aos bois, em qualquer lugar em que houvesse seriedade a esse respeito, Aurélio Melo nunca seria regente dessa orquestra.

Dai disse...

Bem, não tenho gabarito pra falar de orquestra. Mas ainda acho que se a necessidade do consumo da arte for mais insentivada o valor do artista e nçao apenas da arte vai se expandir. Afinal de contas, qualquer pessoa precisa viver do seu trabalho. É a configuração atual das coisas.

L.H. disse...

Genteeeeeee do céu.....vou mandar esse link pra uns amigos aí viu! Tem um povim que precisa vir mais por aqui....
Bom saber!

(rs)

BRUXALARANJA disse...

QUE BOM... PRECISAMOS REALMENTE DE DEBATES SOBRE ESSE TEMA. POETICAMENTE DIVAGANDO, NECESSITAMOS OUVIR MAIS... MAIS E PRINCIPALMENTE NOS FAZER ENTENDER AO MUNDO: A MINHA ARTE É FEITA POR MIM PARA MIM, OU POR MIM PARA O MUNDO?

Anônimo disse...

No dia que ouver um mestrado em música em Teresina, creio eu que os talentos que vc citou e os que surgirem daqui pra frente nao precisarão arrumar as malas para se especializar em outros lugares. Enquanto isso nao acontecer, nao vejo nada demais as pessoas se especializarem em outras cidades.

Anônimo disse...

Jujuba > Minha gente, o Madrigal eh bom mermo, concordo... Nao existe melhor... Esse grupo eh o unico que está acima da linha do ordinário!!!

Anônimo disse...

nao eu sou teresinense piauense teresina esta evoluido eu dou babay babay par que fala do piaui o piaui e o nordeste e sem preconçeitos

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